Chegou a hora de planejar

Em 22 de novembro do ano passado, em artigo assinado por Danilo Meira, jornalista responsável pelo Jornal Mais Notícias, foi sugerida uma ação radical em um ponto crítico: o Centro de Ribeirão Pires, que hoje representa o maior dos gargalos de trânsito existentes na cidade.

Denominado “O Centro precisa de uma ação radical”, o texto sugeria retirar os carros do bairro, que teria suas ruas transformadas em um grande calçadão, “que iria da Rua Padre Marcos Simoni, em frente ao Castelo Azul, até as ruas Felício Laurito, em frente a loja da operadora Oi, e Cidade de Santos, desde a Monte Castelo até a esquina com a Afrânio Peixoto”, um espaço que seria “arborizado, com bancos e equipamentos públicos diversos, permitiria aos pedestres circular com mais tranquilidade e aproveitar melhor o comércio da região”, sendo que o déficit de vagas “poderia ser compensado com a criação de um grande bolsão de estacionamento com Zona Azul na área da antiga Ripivel”.

Esta semana, a Prefeitura, por meio de um projeto do DADE (Departamento para Apoio ao Desenvolvimento das Estâncias) manifestou a intenção de tirar esta ideia do papel, o que pode iniciar uma verdadeira revolução urbanística na cidade. Ponto para a administração que, seguindo o exemplo de grandes cidades do Brasil, como São Paulo e Santo André, e do mundo, como Milão, trabalha para retirar os carros das regiões centrais, hoje limitadas em seu crescimento pelo próprio desenvolvimento urbano.

A segunda etapa desse processo será investir em um sistema de transporte coletivo mais eficaz e com qualidade, que permita a todos ir e vir com mais rapidez e custo baixo. Isso, contudo, passa por delicadas negociações tanto com as empresas que operam os sistemas metropolitanos quanto com a empresa que opera o sistema local, passando por melhorias no processo de integração e também de circulação de ônibus.

Uma sugestão seria fazer uma espécie de corredor interligando as pontas da cidade, que ganhariam terminais regionais por meio de veículos de grande capacidade com ligação direta. A partir daí, veículos menores fariam a distribuição capilar dentro dos bairros, retirando também boa parte do trânsito pesado da região. Mas isso, claro, é uma discussão para o futuro.

O importante é não deixar passar a oportunidade de rediscutir o planejamento urbano da cidade que, a bem da verdade, se iniciou com a Lei Específica da Billings e será fundamental para que tenhamos a cidade que desejamos: humana, bonita e, acima de tudo, boa não só para os turistas, mas para todos que aqui escolheram viver.

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