O Dia em que a Terra parou

Será que o fim da contribuição sindical obrigatória não seria mais um benefício do que um mal para os trabalhadores?

 

Em 1977 Raul Seixas, com ajuda do compositor Cláudio Roberto, lançou uma música que entrou para as paradas de sucesso daquele ano. O single contava a história de um sonho que o Maluco Beleza tivera a respeito do fatídico dia em que a Terra parou. Como se fosse combinado, as pessoas do mundo não saíram de casa, gerando um fato curioso e atípico.

Os versos da canção relatam a situação: “O empregado não saiu pro seu trabalho, pois sabia que o patrão também não tava lá / Dona de casa não saiu pra comprar pão, pois sabia que o padeiro também não tava lá / E o guarda não saiu para prender, pois sabia que o ladrão, também não tava lá / e o ladrão não saiu para roubar, pois sabia que não ia ter onde gastar”.

Assim, Raul descrevia o mundo sem movimento, onde as pessoas não agiam por saber que as outras também não estavam agindo.

Esse contexto ilustra muito bem o que acontece na data de hoje, 28 de abril de 2017. Nesse exato momento em que você lê esse editorial, pessoas por todo Brasil não foram para o trabalho, não saíram de casa porque hoje é o dia em que centrais sindicais decidiram se manifestar, motivando trabalhadores de todos os segmentos a cruzar os braços.

A paralização nacional de hoje tem uma boa pauta: protesto contra a reforma trabalhista proposta pelo Governo Temer. Porém, na contra partida, a pauta é visivelmente roubada por grupos políticos, infelizmente de esquerda, que querem usar a mobilização nacional como massa de manobra para defender bandidos que ainda, na atualidade, roubam o país com os mais diversos crimes de colarinho branco.

Hoje o Brasil parou: bancários, metroviários, metalúrgicos, rodoviários, etc. As grandes forças produtivas nacionais suspenderam suas atividades. Mas só paralisaram porque as centrais sindicais, diga-se de passagem pelegas de Lula e seus “amigos”, forçaram a paralisação.

Devemos sim todos cruzar os braços para obrigar o Governo Federal, e quiçá os Estaduais e Municipais, a ouvir a população, entender que o povo quer melhorias nos serviços públicos e transparência total no governo; que a corrupção seja punida e que todos os bandidos arrolados na Operação Lava-Jato sejam presos.

Por outro lado a população não quer militantes sindicais de esquerda (sem menosprezar o valor das políticas públicas de esquerda, as quais somos apoiadores), manipulando o povo por questões pessoais. Ou será que o fim da contribuição sindical obrigatória não seria mais um benefício do que um mal para os trabalhadores?

Hoje é um dia que entrará para a história. Esperamos que seja um dia de reinvindicações de sucesso. Esperamos ainda que esse não seja um dia em que mais uma vez os brasileiros serão usados para levantar uma bandeira vermelha, manchada pelo sangue de todos aqueles que morreram nas filas de hospitais sem atendimento, ou que foram assolados pela fome, seca ou desemprego.

Enfim, queremos que o Brasil, verde e amarelo, e suas múltiplas carências e anseios, sejam os verdadeiros vencedores desse “Dia em que a Terra parou”.

 

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