O brado retumbante dos profetas do apocalipse

A 23 dias úteis para o fim do atual mandato e começo do novo, as eleições em Ribeirão Pires ainda não terminaram, já que as movimentações jurídicas ainda estão pendentes. A bola da vez é justamente o prefeito eleito, Saulo Benevides, que tem contra si uma acusação de abuso de poder econômico movida pela coligação Unidos para Seguir Avançando, que foi encabeçada por Dedé da Folha nas últimas eleições.

 

A acusação é de uso do jornal Acontece ABC em benefício próprio, lhe trazendo benefícios eleitorais indevidos. Na última segunda, a Procuradoria Regional Eleitoral emitiu parecer “parcialmente procedente” ao recurso da ação que fora vencida anteriormente, na sua primeira instância, em Ribeirão Pires.

 

Foi o que bastou para os “profetas do apocalipse” pregarem que Saulo estaria fora do pleito, que a cidade ficaria sem prefeito, que uma nova eleição seria realizada e até mesmo que Maria Inês seria empossada prefeita, já que foi a segunda colocada nas urnas.

 

Mas, como em tudo na vida, cautela é fundamental. Diferente do caso de Dedé, que tentou se livrar das novas regras ditadas pela Lei Ficha Limpa, uma vez que já havia sido condenado com sentença transitada em julgado, o caso de Benevides demanda muito mais atenção em sua análise já que apesar de ser parecido na origem (abuso de poder econômico) são duas situações distintas. Por isso, a ânsia de se dar a situação como resolvida contra o prefeito eleito não se justifica, ao menos até que todos tenham ciência do teor do relatório que, supostamente, teria pedido sua cassação, dado que, na situação atual, é apenas um documento que será analisado pela juíza, no caso a mesma Clarissa Campos Bernardo que manteve a decisão de primeira instância contra o (ainda) vice-prefeito e então candidato, que pode ou não acatá-lo, bem como os outros dois magistrados que irão analisar a ação.

 

Desta maneira, qualquer conclusão que se tome é precipitada, lembrando que esta seria uma decisão de segunda instância já que, na primeira, Benevides teve uma decisão favorável. Ainda assim, independente da decisão final, o caso pode chegar a ser decidido pelo Tribunal Superior Eleitoral, em Brasília e, dependendo da argumentação, até mesmo chegar ao Supremo Tribunal Federal. Isso posto, todo o “brado retumbante” dos desesperados ainda deve ser guardado por algum tempo. Ou até mesmo arquivado.

 

 

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