Nomes que merecem destaque: Hoje, Robson Miguel

Por Nelson Camargo

Pessoas merecem destaque pela forma diferenciada como se comportam, como líderes, cientistas etc. Algumas são reconhecidas em vida, outras, somente após a morte. Muitas, ao morrerem, são esquecidas em pouco tempo, o que acontece com a maioria de nós. Alguns, enganadores, fazem sucesso durante a vida, mas não podemos provar qual será o fim deles após a morte, mesmo que continuem venerados.

Devemos dar valor às pessoas em vida, pois o morto está em outra dimensão.

Um dos que merecem ser valorizados é violonista, conhecido internacionalmente, Robson Miguel, conhecedor de várias línguas.

Robson, índio cafuzo (mistura de negro e índio), nasceu numa aldeia, cuja língua materna é o guarani-mbyá. Atuante em suas origens, foi eleito cacique. É professor de Cultura Indígena e de Linguagem Indígena no dialeto Mbyá, língua falada e não língua morta, como o Tupi Antigo. Mas conhece outras variações do Tupi e talvez seja a maior autoridade do assunto hoje, dos que não têm diplomas acadêmicos.

Sou professor de Língua Portuguesa pós-graduado, interessado em etimologia. Atualmente estudo no Curso de Guarani-Tupi Guarani “Aikáá Porã” com o Robson. Nunca eu entenderia tanto sobre as línguas e culturas indígenas, se não tivesse me matriculado nesse curso.

Robson é atencioso e passa horas, após o horário de seu trabalho, atendendo a todos os alunos, indiferente de suas condições sociais ou nível de aprendizagem. É professor  exemplar. Melhor professor de Antropologia Cultural que já tive, embora sem diplomas acadêmicos. Esse tipo de conhecimento, quando assimilado, abre-nos portas contra preconceitos que nos limitam e criam problemas para nós e para a sociedade.

Como um dos principais violonistas internacionais, Miguel tem divulgado Ribeirão Pires, por morar e ter seu castelo aqui. Apesar disso, tem sido pouco valorizado por nossas autoridades, a não ser pelo nosso prefeito Kiko, que o nomeou para a Secretaria da Cultura, e por nos dar o privilégio de ter uma Cultura Indígena autêntica e atual, um curso inédito no Brasil, já que nossas universidades estaduais e federais pouco se interessam pelo assunto, e só oferecem cursos por professores que não têm conhecimento de línguas indígenas na prática, nem das culturas indígenas como nativos, gerando com isso, vários desvios de ordem linguística e cultural.

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