Natureza Humana

Por Eliana Maciel de Góes Médica Veterinária

CRMV 4534

Hoje a matéria será sobre gente, ou melhor, sobre a natureza humana.

À medida que existem pássaros com asas amputadas, leões com garras arrancadas, chimpanzés com presas serradas e todo tipo de sequelas da violência contra os animais, a gente se convence sobre o quanto as pessoas, ao odiarem uma outra forma de vida, podem negar sua própria humanidade. E também sobre como podem honrá-la ao amar os animais. No longínquo ano de 1206, em pleno vigor do espírito feudal, um certo Francisco de Assis abandonou os castelos que frequentava, desfez-se de suas posses, despiu-se até mesmo de suas vestes e foi viver entre os pobres. Poeticamente, chamava o sol de irmão e a lua de irmã. E dizia que nada define melhor a condição humana do que a capacidade de amar os bichos. Não é preciso ser religioso ou acreditar em São Francisco de Assis, mas acreditar que o que nos torna especiais em comparação com as outras formas de vida, é a nossa capacidade de amar.

Homens e mulheres têm de sobra as ferramentas do afeto. A tolerância, a generosidade, a ideia de que temos um futuro comum neste planeta são princípios universais conquistados pela Humanidade em sua dura luta contra a barbárie. Não gostamos da solidão, não queremos a dor, não toleramos a humilhação. Se somos egoístas, se ferimos e matamos, se submetemos nossos semelhantes ao vexame da miséria e da pobreza, estamos em desacordo com o esforço civilizacional da convivência. Civilizado convive, respeita, tolera. Os bárbaros subjugam. Tanto faz se os subjugados são gente ou bicho.

Quando sabemos da existência de leões entrevados por anos de confinamento, chimpanzés esquizofrênicos e atormentados por anos de espancamento, araras cegas, onças mutiladas e todo tipo de sofrimento e privações parece a vitória da barbárie. Não é. Porque existem também extraordinários exemplos de generosidade e dedicação. A grandeza de saber amar e proteger seres vivos que, como nós humanos, também sentem frio, dor e medo, ajuda a recuperar a humanidade que ainda há em cada um de nós.

Compartilhe