Mortes de pedestres tem queda após campanha

O número de mortes por atropelamentos caiu 8% na capital paulista, entre maio do ano passado e janeiro deste ano. Apesar da redução, a quantidade de mortes ainda é muito alta. De acordo com a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), morreram 427 pessoas nos oito meses ante 464 mortes registradas em igual período do ano anterior.

Apesar disso, atitude dispersa dos pedestres durante a travessia da faixa faz que com que muitos motoristas deixem de aguardá-los passar

Segundo a CET, a redução das mortes por atropelamentos é reflexo das ações do Programa de Proteção ao Pedestre, que foi implantado com o objetivo de criar uma cultura de respeito ao pedestre, além de aumentar o rigor na fiscalização. Ainda de acordo com a Companhia, entre 8 de agosto de 2011, data que os fiscais passaram a punir as infrações de trânsito, e 30 de março deste ano, foram aplicadas 171.321 multas por desrespeito aos pedestres, como deixar de indicar com seta a mudança de direção, avançar o sinal vermelho ou deixar de dar preferência às pessoas para concluir a travessia sobre a faixa.

Na região, com o lançamento da campanha Travessia Segura, implantada por meio do Consórcio Intermunicipal do Grande ABC, o número de atropelamentos nas sete cidades caiu 14%.  Segundo a Polícia Militar, f oram 534 casos entre dezembro de 2011 e março deste ano contra 621 atropelamentos no mesmo quadrimestre de 2010 e 2011. Santo André lidera o ranking com 155 acidentes nos últimos quatro meses e 179 no período anterior.

Quase todos os municípios apresentaram redução no número de atropelamentos nos quatro meses de campanha, com exceção de Mauá, onde houve aumento de 3% no número de casos.

Distração – Outra pesquisa realizada pela CET apontou que a atitude dispersa dos pedestres durante a travessia da faixa faz que com que muitos motoristas deixem de aguardá-los passar. A distração foi o motivo apontado por 53,2% dos 404 motoristas ouvidos para não aguardar a travessia daqueles que estão a pé no trânsito. “Pedestre na calçada falando ao celular” foi o motivo desestimulante apontado por 46,3% dos condutores, “pedestre na calçada, mas conversando com outras pessoas” foi apontado 29,2% e 18,3% afirmaram que desistem de aguardar a travessia quando veem “o pedestre fumando e não observando a movimentação dos veículos”. Já as entrevistas aos pedestres revelaram que 59,3% das 432 pessoas ouvidas sentem que os motoristas estão as respeitando mais. A maioria, porém, ainda reluta em fazer o gesto do pedestre. Perguntados sobre qual atitude tomam para que o condutor perceba seu desejo de atravessar, 55,6% responderam que “não faz nada, aguarda uma brecha para atravessar”. Cem entrevistados (24,8%) afirmam fazer o gesto do pedestre, e 13,2% responderam tentar fazer contato visual com o motorista. Já 8,9% disseram que “coloca o pé ou se posiciona na faixa de pedestres”. Em relação ao conhecimento do Programa de Proteção ao Pedestre, 66,9% dos pedestres e 84,4% dos condutores ouvidos pela CET responderam estar cientes da campanha. A pesquisa foi feita entre os dias 30 de março e 3 de abril, com uma amostragem de 432 pedestres e 404 motoristas ouvidos na região central da capital paulista.

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