Moradores do Parque das Fontes reclamam sobre o aterro

Um aterro localizado na Rua Bahia, vem causando muitas reclamações. Além de a terra transportada deixar resíduos pelo caminho onde o trator passa, as ruas estão destruídas por conta do peso das máquinas que passam com freqüência.

As ruas estão completamente esburacadas por conta da movimentação freqüente das máquinas.

Um morador, que prefere não ser identificado, afirma que o transtorno é grande e que alguma providência tem que ser tomada imediatamente. “Estamos aqui em um cenário de guerra, um monte de Mata Atlântica está sendo soterrada por interesses dos poderosos”, contou.

Outra reclamação do morador é de que o ônibus parou de passar na Rua Bahia por conta do aterro, e agora transita na Rua Diadema, na frente da Escola Francisco Prisco. “Alguém precisa fazer alguma coisa, os idosos agora têm que vir andando para casa. Quando as aulas na escola voltarem o ônibus também não vai poder passar ali, será um caos, além de perigoso”, argumentou.

Já Antônio Garcia, 52, genro da dona do terreno no qual as terras estão sendo jogadas, afirma que as reclamações não têm fundamento. “Minha sogra autorizou jogarem as terras lá, não há o que reclamar. Só o que tem, são vizinhos que não tem o que fazer”, afirmou, antes de seguir nas queixas: “O caminhão passa e destrói mesmo, depois vão arrumar tudo isso. Tem gente que não tem o que fazer, então reclama” (sic), afirmou.

Os moradores discordam de Antônio. Um deles, que também pediu para não ter seu nome divulgado na matéria, afirma que as máquinas estão sendo estacionadas em frente as garagens das residências. “Estão atrapalhando entrada e saída dos nossos carros, obstruindo as ruas, sem falar na fumaça e na terra que entra e suja tudo dentro de casa”, disse.

O morador ainda conta que por duas vezes a movimentação de terras foi embargada mas logo em seguida as máquinas voltaram a circular. “Não sei quem está por trás de tudo isso, mas não é possível que essa obra seja legal, tem que ter alguém poderoso autorizando essa movimentação por interesse pessoal”, concluiu.

Preocupações – Lucas Barbosa, membro do Comdema (Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente), garante que o órgão não aprovou esse aterro. “Não autorizamos essa movimentação de terra, a lei é preservar. Não se pode jogar terra em um lugar onde passa água”, contou.

Este tipo de situação faz com que Lucas até pense em deixar de ser membro do Comdema, já que o órgão não tem sido ouvido nas decisões municipais. “Estamos dando passos para trás”, afirmou.

Virgílio de Moraes, advogado especialista em direito ambientalista, segue a mesma linha de raciocínio de Lucas. Explicou que a legislação ambiental é preventiva e que quem delibera é o Comdema, portanto, se ele não autorizou, o aterro não poderia existir.

O advogado explicou a gravidade da situação: “Eu vi um material branco de origem estranha na terra, isso precisa ser examinado. A legislação afirma que o meio ambiente é um bem coletivo, não é um bem particular”, declarou.

Procurada, a Secretaria de Obras afirmou que o movimento de terra está sendo executado na Rua Bahia “sob responsabilidade técnica da empresa PGE Ambiental”. Ainda constatou que “o material utilizado no aterro é proveniente da mesma bacia

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