Moradora enfrenta pichadores e luta por uma cidade melhor

Mais uma vez, o Jornal Mais Notícias aborda o tema “pichação”. Em matéria divulgada em fevereiro deste ano a explicação foi clara, pichar é crime. Diante da repercussão, a redação recebeu diversas ligações, em especial de uma munícipe que deu o exemplo e resolveu denunciá-los e buscar seus direitos perante a lei.

Fachada do prédio atacada pelos criminosos

Ter uma cidade mais limpa é o que a entrevistada busca. “Resolvi procurar o jornal, pois, recentemente uma matéria havia sido divulgada. Confesso que infelizmente não me causou nenhum espanto, já que a cidade está cada vez mais suja e emporcalhada. Meu interesse foi despertado quando mais uma vez fui alvo dos pichadores, então resolvi que não iria mais me calar e esperar. Estou em busca dos meus direitos”, revela Julia Simões Saralho.

A vítima relatou o ocorrido: “sou proprietária de um pequeno prédio, onde funcionam pontos de comercio. No dia sete de março, às três horas da manhã, cinco adultos foram vistos pichando o local e, por meio de denúncia anônima, três deles foram presos. Fui informada somente às duas horas da tarde por uma vizinha, sobre o ocorrido”, explica Julia Simões.

Dentro da lei, “resolvi ir adiante e busquei registrar o boletim de ocorrência, e estou com um advogado à frente do caso. Eu quero que essas pessoas paguem, não em forma de cesta básica, pois considero algo fácil e de pouca valia. Em minha opinião quem deve limpar o estrago e pintar novamente o imóvel são eles e não eu”, conta a entrevistada.

Segundo ela, o que causou mais espanto foi a idade dos pichadores. “Todos eram maiores de idade, com 33 anos, 29 anos e 28 anos. Alegaram também ter residência fixa e emprego. É simplesmente um absurdo, homens fazendo esse tipo de papel”.

“Mesmo tendo 72 anos, garanto que a idade não será empecilho. Não vou parar até que a situação seja resolvida. E espero que minha força e garra sirvam de exemplo a outros moradores, somos capazes sim de buscar melhorias”, opina a munícipe, que ainda sugeriu que, para uma cidade mais limpa, vê que a “solução para grande parte dos problemas, seria o aumento do policiamento”, pois, “uma maior fiscalização iria dificultar a ação dessas pessoas. Segurança nunca é de mais”.

Agora, Julia Simões está em compasso de espera: “meu advogado explicou que o processo irá para o Fórum. A demora é algo que existe, sei que é comum neste tipo de caso, mas irei esperar pacientemente”, concluiu. Assim como a leitora, existem muitas outras pessoas que passaram pela mesma situação. O que se espera é uma atitude mais rígida das autoridades e que esses vândalos, criminosos, sejam punidos como diz a lei, como já falamos aqui neste mesmo espaço.

O Crime – Segundo o Boletim de Ocorrência registrado na Delegacia de Polícia de Ribeirão Pires sob o nº 900016 no dia 07/03/2013, os policiais acionados foram ao local, na Avenida Francisco Monteiro, para averiguação de uma denúncia anônima de furto e, ao chegar, constataram que se tratava de um crime de pichação. Os autores André Antonio da Silva Leite, 33 anos e David de Oliveira Ferraz, 29 anos, moradores da Vila Sabrina, em São Paulo, além de Thiago Simões Lima, 28 anos, de Mauá, foram detidos e conduzidos á delegacia de Ribeirão Pires, onde prestaram esclarecimentos e tiveram as latinhas de tinta spray e celulares apreendidos para perícia. Todos tinham passagens criminais. Após lavratura de Termo Circunstanciado e compromisso de comparecimento ao JECRIM (Juizado Especial Criminal), foram liberados.

De acordo com o Dr. Josenito Barros Meira, advogado consultado pelo Jornal, o benefício do Termo Circunstanciado é concedido na primeira vez em que o delito é cometido. “Se reincidirem perdem o direito à vantagem”, ressalta. Quanto ao processo no Jecrim, eles podem estar sujeitos ao pagamento de cestas básicas, prestação de serviços à comunidade e medidas restritivas de direitos como, por exemplo, serem obrigados a estar em casa às 22h. Isso, claro, sem contar os efeitos da ação movida pela vítima pelos danos materiais sofridos.

Compartilhe