Meu filho tem Diabetes! E agora?

Por Fernanda Panerari, jornalista e mãe de adolescente diabética

A Diabetes  Mellitus tipo 1 é uma doença que assusta qualquer adulto. Quando se descobre que uma criança está com Diabetes, desestrutura pais e familiares. Surgem os sentimentos de  medo, angústia e até uma sensação de impotência diante da situação. Você irá contestar o resultado do exame e o parecer médico, mas raramente acontecem erros com o resultado  deste  tipo de exame. Tudo isso porque ainda pensamos que essa mazela só atinge adultos. A  triste realidade é que não existe mais idade certa para ter diabetes, e muitas crianças desde muita novas são diagnosticadas, independente se a criança comia muitos doces ou tinha excesso de peso.

Apesar de os cuidados precisarem ser duradouros e demandarem a aplicação de injeções e picadas no dedo, os avanços no tratamento foram imensos. “A cada ano, vemos mais melhoras por conta de vários fatores. Hoje há um número enorme de alimentos diet, que permitem a criança comer o mesmo que os colegas e ser igual aos demais é algo que conta muito para os pequenos e para os adolescentes”, diz o doutor Walter Minicucci, presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD). Ele completa: “As proibições também estão muito mais leves devido aos novos tipos de insulina e estratégias de tratamento. As seringas para aplicação de insulina atualmente são equipadas com agulhas bem curtas, que não machucam, assim como os aparelhos conseguem monitorar a glicemia com apenas uma pequena gota de sangue, o que significa uma picada praticamente sem dor.

Além do tratamento de aplicação de insulina na seringa e canetas, que são os mais comuns, o paciente ainda pode contar com a Bomba de Infusão de Insulina. Segundo a SBD, “a bomba de infusão de insulina é um aparelho eletrônico ligado ao corpo por um cateter com uma agulha flexível na ponta. A agulha é inserida na região do abdômen, braço ou da coxa, e deve ser substituída a cada dois ou três dias. O funcionamento dela é simples, liberando uma quantidade de insulina basal, programada pelo médico, 24 horas por dia, tentando imitar o funcionamento do pâncreas de uma pessoa comum, no entanto a cada refeição é preciso fazer o cálculo da quantidade de carboidratos que serão ingeridos e programar o aparelho para lançar uma quantidade de insulina rápida ou ultrarrápida no organismo. Os modelos atuais de bomba de insulina possuem uma calculadora de bolus, que é um software inserido nas bombas, onde a pessoa apenas insere o volume de carboidratos que irá ingerir e o valor da glicemia daquele momento”.

Muitas pessoas conhecem o equipamento como pâncreas  artificial, o que tem feito com que crianças e adolescentes tenham uma vida mais tranquila. Algumas já vem com um sistema que pode ser programado, caso a criança vá a uma festa ou coma algo diferente da alimentação do dia a dia. Não é um tratamento barato e nem tão fácil de conseguir, infelizmente não temos no Sistema Único de Saúde. Mas se tiver um acompanhamento com um bom endocrinologista, a bomba pode ser adquirida, em muitos casos, com um simples mandado de segurança.

Realmente é assustador, mas com o tratamento correto, sua criança terá uma vida normal. E lembre-se que o açúcar e excesso de carboidratos são inimigos no controle de Diabetes. Hoje existem biscoitos recheados, sucos, iogurtes, doces, entre outras gostosuras diets. Acrescente muitas frutas, verduras, legumes e água ao dia a dia. E procure um bom  endocrinologista para te ajudar no tratamento.

E o mais importante, não vitimize nunca seu filho em  decorrência da doença, isso poderá prejudica-la muito no futuro.

Ingrid Souza é aluna exemplar de uma escola pública, faz tudo o que outras adolescentes  fazem. Já foi miss e princesa em Minas Gerais, na cidade em que morava por várias vezes. Portadora de Diabetes Tipo 1 Infanto Juvenil, a doença crônica só fez com que aumentasse mais ainda a garra e vontade de viver.

Leia a seguir um bate-papo com a adolescente Ingrid, que tem 15 anos e descobriu ser diabética aos oito anos de idade:

O que é Diabetes para você?

– É uma doença crônica em que o pâncreas para de produzir ou diminui a produção de insulina, fazendo com que o organismo não consiga combater o açúcar dos alimentos que ingerimos.

Quais foram os sintomas que você sentiu quando foi diagnosticada?

– Sentia sede excessiva, muita fraqueza, dores horríveis nas articulações, emagreci muito em pouco tempo e sentia muita vontade de fazer xixi.

Qual exame foi feito para chegar ao diagnóstico?

– Depois de todos os sintomas, oi pedido um exame de sangue em jejum.

Por ser criança, qual o tratamento foi escolhido pelo médico?

– Depois de ter ficado dias internada, passei pela aplicação de insulina na seringa e na caneta. Mas não conseguia controlar a glicemia, que em alguns momentos estava muito alta e em outros muito baixa, me deixando com hipoglicemia, que chega a ser até mais perigosa que a hiperglicemia, e eu ficava muito mal. Então a minha médica me ajudou no processo para conseguir a Bomba de Insulina. Estou fazendo uso dela até hoje. Tenho que usá-la 24 horas por dia, só tirando na hora do banho. Também faço a contagem de carboidratos e verifico a glicemia em casa mesmo, com aparelho que entregam no Programa de Saúde da Família (SUS).

O que mudou na sua vida?

– A minha alimentação passou a ser bem mais saudável, apesar que meus pais, mesmo antes de saberem que eu teria diabetes, não me deixavam comer doces, frituras e ingerir refrigerantes. Mudou o fato que preciso verificar a minha glicemia várias vezes ao dia. Faço dança cigana, porque não podemos deixar de fazer exercícios físicos. E o uso da bomba faz com que eu tenha que explicar aos novos colegas o porque “daquele aparelho”, grudado em mim (risos).

Deixe um recado para crianças e adolescentes que passam pelo mesmo que você.

– Se cuidem fazendo a verificação da glicemia em quantidade e horários certos, determinados pelo médico. Porque a dor de uma agulhadinha não se compara aos problemas que podem surgir no futuro. Não deixe com que a Diabetes te controle, você controla ela! Saiba que você não é doente, apenas terá uma vida mais saudável do que outras pessoas. Fazendo o controle certinho, tudo dará certo!

Até  a próxima!

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