Marrom e chapa branca com muito orgulho

Antes de ser “marrom”, a imprensa que publicava matérias inescrupulosas e mentirosas, cujos jornalistas davam “banana” para a ética e os bons princípios do jornalismo era taxada de “amarela”.
Certa vez, o jornalista Alberto Dines preparava uma matéria sobre caso publicado na revista “Escândalo” que levou um conhecido cineasta ao suicídio, cuja manchete era “Imprensa amarela leva cineasta ao suicídio”, quando o chefe de reportagem do jornal Diário da Noite, Calazans Fernandes, achou o amarelo uma cor amena demais para o caráter trágico da notícia e sugeriu trocá-lo pelo marrom. Assim nascia a expressão “imprensa marrom”, originada de uma denúncia na própria imprensa, no caso a revista “Escândalo”, que contribuiu para o fim da criminosa publicação, fechada logo em seguida.
Esta introdução serve de aperitivo para o que segue a respeito da tal “imprensa marrom com chapa branca”, que circula na região e que, sem qualquer escrúpulo, publica, por exemplo, matérias sobre crianças e menores em situações constrangedoras, criando clima favorável e incitador da violência contra os mesmos com o objetivo único de atingir seus pais. Matérias deste tipo, em que a ética passa longe, publicadas com fins políticos, comerciais e/ou pessoais, colocando pessoas públicas em situações constrangedoras, perseguindo indivíduos que ocupam cargos públicos até derrubá-los, estabelecendo vínculos suspeitos com o poder constituído, a ponto de defendê-lo em todas as ocasiões nem que para isso seja necessário ignorar a mais básica regra do jornalismo (ouvir a todos os envolvidos na matéria), mentindo ao leitor com a célebre frase “fulano de tal não foi encontrado” ou “recusou-se a falar” quando na verdade os interessados sequer foram ouvidos, já que suas falas que, neste caso teriam que ser necessariamente publicadas, poderiam não ser do interesse do editor dado o teor tendencioso das matérias.
Semana passada, um jornalista, mesmo de posse de telefone, e-mail, endereço e todas as formas possíveis de se localizar uma pessoa, preferiu furtar de um colega de profissão o direito a comentar uma matéria na qual era citado, afirmando não tê-lo encontrado. Questionado sobre o assunto, limitou-se a responder: “é o modo como trabalhamos”. Ou seja: marrom confesso e chapa branca, com muito orgulho.

Gazeta

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