Impor vontade à força também é terrorismo

Um dos muitos direitos estabelecidos pela Constituição Federal do Brasil é o direito ao protesto que, em suma, é o direito à contestação de medidas que, por ventura, possam vir a ser prejudiciais a um grupo ou à sociedade como um todo. Ainda que não seja irrestrito, já que há algumas ressalvas criadas justamente para respeitar os direitos daqueles que nada têm a ver com o assunto, é um direito que, como vemos dia a dia, é respeitado na medida do possível.

Quando não há tal respeito, chegamos ao patamar do terrorismo, uma palavra forte, mas perfeita para exemplificar o que está acontecendo na Grande São Paulo esta semana, com a greve arquitetada pelos caminhoneiros transportadores de combustíveis contra uma medida (acertada, diga-se de passagem) da Prefeitura de São Paulo, que restringiu o trânsito de caminhões de grande porte na Marginal Tietê e em outras vias da cidade entre as 5h e 9h da manhã e entre as 17h e às 22h.

Ao invés de seguir o caminho civilizado da negociação, estes cidadãos preferiram usar a força, ceifando o direito de ir e vir (ao menos de carro) de milhares de cidadãos não só de São Paulo, mas também das cidades da Região Metropolitana, em um ato digno de ações do IRA ou do ETA, grupos que aterrorizaram a Europa no século passado, ao tentar impor suas vontades à força, com o poder do medo.

Viver em sociedade também significa abrir mão de certas coisas em prol de um bem comum, deixar de lado deleites individuais para que a convivência seja a mais harmônica possível. Os exemplos são inúmeros, desde aquele vizinho que agride o cãozinho de estimação da casa ao lado até aquele político que força a barra para contar com o apoio de determinada legenda atravessando a autoridade do respectivo diretório municipal e fazendo uma negociação direta com instâncias superioras.

Usar a força bruta, em qualquer área, é condenável ainda mais quando o fim é injustificável. É uma afronta não só aos direitos individuais, mas também ao Estado Democrático de Direito, a nossa estimada Democracia.

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