Houve um despertar

“Não é só o Poder Público que tem que realizar festivais. A iniciativa privada tem o dever de promover cultura e turismo na cidade” – Roger, banda Ultraje a Rigor

No editorial da semana passada apontamos a dificuldade de Ribeirão Pires se encontrar como cidade turística. Criticamos a falta de iniciativas voltadas ao setor e a precariedade com que o tema é tratado pelo Poder Público, pela iniciativa privada e até mesmo pelo cidadão.

Um fato interessante aconteceu nesta última segunda-feira, dia 31. A ACIARP, junto com o Conselho Municipal de Turismo, lançou um catálogo com indicações gastronômicas nos moldes daqueles encontrados em qualquer cidade histórica. Essa iniciativa merece reconhecimento.

O guia contempla 40 comerciantes que se propuseram a pagar uma taxa simbólica para garantir a impressão de uma quantidade desconhecida do material. A nosso ver, isso mostra duas coisas: em primeiro lugar começamos a engatinhar rumo a um desenvolvimento do turismo municipal por meio da criação de instrumentos da linguagem do setor. Um guia, ou catálogo que reúna opções gastronômicas é extremamente útil para o visitante.

Agora, em segundo lugar a mesma inciativa reforça o que apontamos na semana passada, que o comerciante ainda não acordou para a necessidade de se aplicar ao turismo. Um número restrito de bares, lanchonetes e restaurantes estão no Guia Gastronômico Sabores de Ribeirão Pires, o que nos leva a perguntar: e os demais?

Será que não enxergaram que o valor de não mais de R$ 300 seria um bom investimento não apenas para o comerciante, mas para a cidade como um todo?

Apenas para ilustrar, na tarde de ontem, percorremos alguns dos pontos citados no guia e outros estabelecimentos da cidade para ver se encontraríamos os panfletos sobre o balcão, acessível a qualquer pessoa. Para nosso espanto não encontramos. Só fomos achar um exemplar do Guia na sede da ACIARP. Ou seja, ou a população recolheu o material muito rápido, o que exigiria uma nova impressão e distribuição, ou não foi feito o suficiente.

Mesmo assim, observamos que o Guia é um primeiro passo de muitos que ainda virão. Por hora, podemos reforçar como assertivas as palavras do prefeito Kiko Teixeira durante o lançamento do catálogo: “A ideia de comerciantes, da ACIARP e do COMTUR em lançar um catálogo de gastronomia evidencia que a iniciativa privada, assim como nós do Poder Público, está mobilizada para estimular o setor. Manter bom receptivo turístico e dispor de roteiros gastronômicos são pontos essências e integram série de requisitos necessários para que a cidade mantenha o título de Estância”.

O que o prefeito disse está correto em sua teoria. Esperamos que a prática seja efetivada com ações (e reações) mais rápidas e dinâmicas. Vamos então aqui dar três pequenas tarefas para cada um dos segmentos:

Poder Público – incentivar mais iniciativas que façam desenvolver o caráter turístico da cidade. Treinamentos, workshops e investimentos podem dar mais resultado que obras faraônicas, demoradas, incertas e duvidosas.

Iniciativa Privada – abram suas portas para o fomento, busquem financiamento para investir no setor e contem com uma boa publicidade. Roger, da banda Ultraje a Rigor, disse no último sábado: “Não é só o Poder Público que tem que realizar festivais. A iniciativa privada tem o dever de promover cultura e turismo na cidade”. E ele está certo.

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