Estamos impotentes diante da bandidagem?

Mais uma vez, o tema Segurança Pública vem à baila na cidade. Esta semana, novos números mostram que a situação está alarmante. Se pegarmos apenas os furtos e roubos de veículos, veremos que se compararmos os meses de janeiro de 2012, 2013 e 2014, houve um aumento de incríveis 340% no índice destes crimes em Ribeirão Pires. Recentemente, a cidade foi classificada como a quinta com maior índice de homicídios no estado de São Paulo.

Mas, o que está acontecendo se há bem pouco tempo a cidade era conhecida apenas pelo seu ar (quem não se lembra do lendário adesivo Minha Terra, Meu Ar) e seus recursos naturais. O que está causando a escalada da violência? Há algumas semanas, um integrante da equipe presenciou um assalto em plena Afrânio Peixoto, uma das ruas mais movimentadas do Centro. Ontem, tivemos o caso de uma munícipe que viu seu carro ser levado em frente à sua residência.

Todos esses casos que, há anos, eram raros, infelizmente estão se tornando corriqueiros. Parando para pensar friamente, 51 roubos (ou furtos) de carros em 31 dias, uma média próxima a dois por dia em uma cidade como a nossa, é absolutamente inadmissível e mostra o quanto a situação está fugindo do controle.

Vemo-nos impotentes diante da escalada da violência, sem possibilidade de reação sob pena de temos que arcar com prejuízos muito maiores que os materiais. A situação se banalizou a ponto de haver quem culpe a vítima por, supostamente, ter facilitado a vida dos meliantes simplesmente por ter confiado seus bens à Segurança Pública. Um cidadão que diz algo deste tipo, certamente não passou pela dor de ver algo que demandou sacrifícios financeiros e até mesmo psicológicos literalmente sumir de uma hora para outra.

De mãos amarradas, as forças policiais fazem o que é possível, mas também sofrem com a falta de equipamentos, recursos e até mesmo com a descrença de parte da população em seus serviços. Há também a questão da Justiça que falha na punição aos meliantes reforçando ainda mais a sensação de impunidade. É triste constatar também a passividade da população em relação à situação, como se roubar e matar fosse algo natural e presente na sociedade, quando não deveria ser desta forma. Em entrevista concedida ao repórter Cosme Rímoli nesta semana, o Tenente-Coronel da PM Marcos Marinho, ex-comandante do Batalhão de Choque, resumiu muito bem a situação: “Nós nos acostumamos a conviver com eles. A nossa sociedade está doente. Os nossos políticos não percebem o mal que estão fazendo a este país. A falta de vontade política de punir os criminosos corrompeu o Brasil. Esses bandidos não respeitam a Polícia Militar nos estádios. Sabem que a legislação está do lado deles. Não é só no futebol, não. Como cidadão, pai de família eu fico chocado com o que está acontecendo. Por isso só tenho tranquilidade para dormir com o revólver por perto. Assim sei que minha família está protegida. Esse é o meu país”. Será que deveria realmente ser assim?

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