Esporte de quinto mundo

Em quatro dias, chegará ao fim mais uma edição dos Jogos Olímpicos da era moderna que, neste ano estão sendo realizados em Londres. Mais uma vez, ficou a sensação de decepção que se ampliou ainda mais pelo fato de, logo no primeiro dia, termos chegado a liderar o quadro de medalhas com o ouro de Sarah Menezes.

Passados 13 dias, o Brasil conquistou apenas mais uma láurea máxima, com o ginasta Arthur Zanetti que, por sinal, é do ABC e teve frustrações em atletas que eram dados como medalhas “quase certas”, como Cesar Cielo, que ficou com o bronze na natação, Maurren Maggi e Fabiana Murer, do atletismo, que foram eliminadas ainda na primeira fase, bem como os ginastas Diego Hypolitho, Daiane dos Santos e Daniele Hypolitho e até mesmo Juliana e Larrissa, do vôlei de praia, que ficaram “apenas” com o bronze.

A frustração rendeu comentários dos mais diversos. Talvez pelo fato do Brasil ter sido um dos líderes do Panamericano, (que verdade seja dita, é uma competição de nível semi-amador), havia grande expectativa que o país, enfim, saísse do terceiro mundo do esporte e brigasse contra as super-potências China e Estados Unidos. Entretanto, a própria meta do Comitê Olímpico Brasileiro, de 15 medalhas (mesmo número de Pequim 2008) já mostrava que o padrão competitivo, na melhor das hipóteses, seria mantido.

A questão é se valeu a pena tamanho investimento no esporte, com a locação de um Centro de Treinamentos inteiro (Crystal Palace) e também a bolsa-atleta que mensalmente é paga aos atletas considerados de alto nível, sendo que na origem, que é a formação dos competidores, dependemos ainda da geração espontânea de talentos, de pessoas que gastam tempo, dinheiro e perdem a infância e juventude em prol de um sonho, que é ser atleta profissional em um pais onde o esporte em geral – inclusive o futebol – é gerido por amadores e corruptos.

Nossos grandes atletas do esporte individual, os medalhistas e campeões, são mero fruto da sorte, da persistência e do sacrifício dos próprios e de suas famílias. A maior prova disso está em nomes como Ayrton Senna e Nelson Piquet, na Formula 1, que não é olímpica, claro, mas não vê nenhum brasileiro campeão há 20 anos, por não ter um trabalho de base para formar novos pilotos. Aliás, sequer há uma categoria nacional de fórmula, que possa, como a Stock Car, ser competitiva. Em esportes olímpicos, podemos falar de Gustavo Kuerten que, assim como Maria Esther Bueno, foi a exceção que confirma a regra de que não temos qualquer trabalho de base no Brasil.

O fato de ser a delegação da casa em 2016 e, por isso, ter mais atletas competindo, não deve dar qualquer vantagem ao Brasil. Pelo contrário, deve externar ainda mais a diferença competitiva em relação aos outros países e fazer com que, assim como este ano com o Reino Unido, que o Brasil sirva de cicerone para os triunfos de chineses e norte-americanos.

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