Ernesto Menato: Conte-me uma história

Ernesto Menato, o Teto, é proprietário da Conteto e teve participação ativa na organização da cidade. Nesta edição, o ilustre munícipe, que foi nomeado para a prefeitura pela Lei Municipal nº10, nos conta um pouco sobre a rotina político administrativa da cidade em seus primórdios:

 “Trabalhávamos em Santo André e Ribeirão Pires era apenas um distrito. Mauá e Ribeirão saíram juntas e foi aberta a opção para quem quisesse ir para cada uma dessas cidades. Como era de Ribeirão, quis vir para cá. Trabalhava no Cadastro Imobiliário e Lançadoria, que era o setor que detinha as fichas em uma sala pequena. Toda a contabilidade e engenharia era feita em Santo André.

Por várias vezes, eu vinha de trem com os arquivos embaixo do braço, que fui levando aos poucos para a Prefeitura, que ficava onde hoje está instalada a Câmara Municipal. O contador era o Gilberto Figueiredo, que se aposentou e então o Arthurzinho (Arthur Gonçalves de Souza Junior, prefeito à época) me colocou no lugar. Eu então pedi para o prefeito contratar o Valdírio Prisco, que era meu amigo de andanças, saía para caçar comigo aos sábados e domingos e trabalhava em um banco em São Paulo. Ele ficou como lançador e eu na contabilidade. Fiquei seis anos como contador, os quatro do Arthur e dois do Francisco Arnoni até pedir as contas para cuidar do meu escritório. Eu fazia o serviço fazendário, controlava despesas, gastos e verbas. Montei praticamente tudo, fiz o patrimônio, etiquetando os bens da prefeitura por local, preço e origem. Depois avacalharam”.

Daquela época, havia muita gente boa. Estamos vivos apenas eu e a Ilka Alvarez (primeiro escriturária, depois contabilista da Prefeitura) Foi uma época difícil, não tínhamos nada. Distribuíamos os avisos de imposto de charrete, casa a casa. Era muito empírico, dávamos baixa nos impostos com a mão após o pagamento na tesouraria. Tinha que se confiar nas pessoas, mas não tinha nenhum malandro. Esses vieram depois.

Tudo era anotado a mão. A cidade tinha umas áreas ignoradas que começaram a ganhar donos. Era só por o nome que você passava a ser proprietário de alguma delas. No Núcleo Colonial, foi Bernardino de Campos quem fez o loteamento, com lotes grandes, de 2400m, para alemães que quisessem vir para cá. Mas muitos não ficaram, foram para o Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Ficou um ou outro. A maioria veio, largou tudo e foi embora. Em um dos melhores lotes, um padre colocou “Propriedade da Cúria Metropolitana”, bem ao lado de um espírito de porco que não gostava de padres, Firmino Reis Vasconcellos, que teve a pachorra de colocar no Estadão por três dias: ‘procura-se o herdeiro da família Sach’. Não é que apareceu a sobrinha do alemão que ganhou o terreno? Ela trabalhava na Casa Rica em São Paulo, na Rua Direita. Ela veio e foi o maior bafafá. Fizeram um acordo e a Cúria ficou com um pedaço e o Firmino ficou com outro. Era assim: quem chegava primeiro levava”.

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