Eplan nega que e-mail suspeito tenha ligação com crime ambiental

Uma matéria publicada em um jornal local revelou um suposto envolvimento entre a construtora de Ribeirão Pires, Eplan, e a Prefeitura de Rio Grande da Serra. Apesar do conteúdo da reportagem, a empresa se adiantou em esclarecer os fatos e nega qualquer atividade ilícita que envolva crime ambiental supostamente cometido em aterro clandestino localizado no Parque América (RGS).

Carlos Naste, diretor de Novos Negócios da Eplan, explicou que a reprodução do e-mail estaria descontextualizada. “Elas (Maira, funcionária da Eplan e Melissa, secretária-adjunta de Obras de Rio Grande da Serra) de fato trocam e-mails sobre o bota-fora de Rio Grande da Serra. A Maira é nossa funcionária e nesse caso a Prefeitura nos procurou para ver se nós tínhamos jogado algum material na área, marcamos uma reunião para verificar e é isso o que o e-mail retrata”, explica o representante da empresa.

Segundo exposto por Naste, o local em questão é uma área que passou a receber restos de construções e demais entulhos. Quando a Eplan recebeu um comunicado de que caminhões da construtora estavam despejando material no local irregularmente, uma comissão interna foi formada para verificar possíveis irregularidades. “Não consigo averiguar se em algum momento a Eplan fez isso. Nosso material é terra, não é lixo”, destacou o engenheiro.

Em Rio Grande da Serra a publicação gerou reação imediata nos vereadores que durante a sessão da Câmara de ontem se manifestaram sobre o assunto. Cleson Alves (PT) disse que os vereadores já vinham debatendo sobre a demanda de lixo que vinha sendo jogado na cidade, em especial no bairro Parque America, onde foram encontrados partes de vasos sanitários, telhas de amianto e até cruzes de cemitério.  “Nós da bancada do PT vamos ao Ministério Público para apurar essas denúncias. Por isso peço ao prefeito que se antecipe, porque em breve estaremos lá”, desafiou o petista. Cleson recebeu apoio de seu companheiro de partido, Benedito Araújo: “Tem a denúncia, é grave, cabe à Câmara apresentar a denúncia no MP e apurar se esta empresa não está qualificada para trabalhar em defesa do povo de Rio Grande da Serra”.

O vereador Claurício Bento (DEM), líder de governo, sugeriu uma investigação detalhada de todo o caso. “Acho que uma sindicância seria o ideal para que a imprensa e a população tenham as respostas necessárias e o fato real venha a tona. Mesmo sendo líder do governo, eu não vou compactuar com esse tipo de atitude na cidade e irei denunciar com os senhores, vereadores (da bancada do PT)”, ressaltou o democrata.  Claurício ainda sugere que a questão seja discutida abertamente, em uma espécie de coletiva de imprensa, onde o prefeito responderia à imprensa todos os questionamentos sobre o assunto. “O prefeito é totalmente aberto ao diálogo e vamos conversar para que isso seja resolvido aqui e não tenha a necessidade de ir ao MP e veremos quem realmente tem culpa e puniremos”, afirmou.

Pulmão de obras – A construtora explicou que existe uma operação comum durante a execução de obras que é a criação de áreas de armazenagem do material retirado de canteiros de obras que posteriormente são destinados novamente para o local de extração. A Eplan executou obras de recuperação de vias de terra na época em que o problema aconteceu, por isso acha muito difícil que seu material (terra) fosse jogado junto com restos de construção, entulho e lixo encontrado no perímetro da denúncia. Porém, há a informação de que imagens amadoras gravadas por moradores da região comprovariam o uso do local por caminhões da empresa.

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