ENAU é negociado e freiras deixam gestão da escola

Em reunião realizada na noite da última terça, uma notícia pegou a cidade de surpresa: o ENAU, escola mais tradicional de Ribeirão Pires, estará sob nova direção. Durante o encontro, segundo pais que estiveram presentes, as freiras comunicaram que a instituição, com mais de 80 anos na cidade, será gerida pelo Centro Educacional do Litoral Norte, que mantém cinco escolas e duas faculdades na sua região de batismo.

Tradicional escola está sob nova direção

Segundo fontes, a escola hoje tem cerca de 700 vagas em aberto e há mais de duas décadas vinha lutando contra um déficit que crescia ano após ano. Durante a reunião, inclusive, uma das freiras citou a situação, afirmando que “estava insustentável”. Desta feita, a negociação, ou “troca de mantenedores”, acabou se tornando inevitável.

Um dos pais que estavam no encontro é o vereador Renato Foresto, que lamentou o fato: “o maior prejuízo para a cidade é histórico, já que o ENAU se confunde com a história de Ribeirão Pires e era referência, com uma metodologia de ensino diferenciada”, conta. O mesmo se aplica a ex-alunos da escola, muitos deles na faixa dos 30 a 40 anos. Nas redes sociais, durante o dia de ontem, não era raro ver palavras como “choque”, “surpresa”, “decepção” e “tristeza” nos comentários sobre o fato.

Em entrevista exclusiva ao Mais Notícias, o mantenedor do CELN, Fábio Merlin, comentou a negociação. Ele iniciou agradecendo “publicamente às irmãs do Instituto Filhas de São José pelo excelente trabalho realizado no ENAU e pela confiança depositada para substituí-las”, antes de ressaltar: “não vamos medir esforços para realizar um grande trabalho e dar condições para o ENAU continuar a trabalhar em prol de seus alunos e da comunidade local, gerando emprego e promovendo educação”.

Ele também falou sobre a metodologia da escola, que irá “trabalhar o desenvolvimento integral da personalidade dos alunos em todas as suas vertentes: cidadania, intelectual, comportamental e socioambiental” e que o Ensino Médio irá “preparar os alunos para ingressar nas melhores Universidades do país”, com 3º ano, em especial, intensivo.

Merlin negou que a transição irá causar impactos negativos: “Isto é impossível, ilegal e, com alguns anos de experiência em Escola, temos absoluta consciência de que a parte principal é cuidar do bom nome, da tradição, da excelente infraestrutura e da equipe de professores e funcionários que na verdade são a essência da Escola”, antes de prometer que serão feitas melhorias diversas na estrutura, tão logo sejam avaliadas as condições.

“Vamos trabalhar demais para conquistar a confiança da população, dos alunos e das famílias para dar continuidade a esta obra de 80 anos. Indiscutivelmente, esta é a tarefa mais difícil, na verdade impossível. Sabemos que nunca vamos conseguir igualar o trabalho das irmãs do IFSJ. Nossa ideia é manter valores e tradição enraizados no corpo docente e discente da escola, aproveitar o envolvimento das famílias com a escola e enfatizar ainda mais o que for possível nas ações junto à comunidade. Com humildade, temos alguns projetos próprios bem sucedidos no Litoral Norte e no Sul do País que gostaríamos de implementar além de novas parcerias e relacionamento com a comunidade local”, concluiu Fabio Merlin.

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