E o Cinturão Azul se formou

No terço final do ano passado, quando Clovis Volpi, ex-prefeito de Ribeirão Pires, anunciou que estaria de mudança para concorrer à prefeitura de Mauá, foi falado, aqui mesmo neste Mais Notícias, sobre a intenção do governador do estado de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), em formar o chamado “Cinturão Azul”, ou seja, tomar o máximo possível de prefeituras do PT – de preferência as consideradas “vitais” – para fomentar uma base capaz de catapultar sua intenção de se candidatar a presidente da república em 2018. À época, inclusive, houve destaque para o papel importante que Volpi exerceria nesse processo.

Experiente, Geraldo sabia desde o princípio que não poderia depender apenas da legenda tucana para este planejamento. Isso posto, junto ao PSB do vice-governador Márcio França e outros “partidos irmãos”, conseguiu ter até mais de um candidato aliado (ou ao menos dentro de sua zona de influência) na maioria das cidades. Podemos aqui citar os exemplos de Mauá, no qual Átila Jacomussi (PSB) foi o vencedor e São Bernardo, onde Orlando Morando (PSDB) será o novo prefeito vencendo Alex Manente (PPS) que, embora tenha se aproximado do PT no segundo turno (a ponto de ter sido, em forma de ironia, comparado a uma fruta “verde por fora e vermelha por dentro” pelo vencedor do pleito), não se encaixaria exatamente como “rival” de Geraldo.

O plano deu certo e hoje Alckmin tem sob suas asas a maior parte das cidades da Região Metropolitana. Além disso, enfraqueceu o principal rival (PT) que, com apenas uma prefeitura (Franco da Rocha) também vê seu arco de influência diminuir. Para efeito de comparação, partidos menores como PTN e PRB estão com mais prefeituras do que a legenda que tem Lula como principal expoente.

Na política interna, Alckmin também capitalizou lucros, ao minar seu principal adversário, o senador mineiro Aécio Neves, presidente do PSDB, que, ao contrário do correligionário paulista – que chegou a emplacar o chamado “poste” como prefeito de São Paulo (João Dória Júnior) – viu suas apostas naufragarem.

Embora esteja claro a muitos que as eleições presidenciais de 2018 já começaram, também fica claro que elas serão diretamente influenciadas pelo o que venha a acontecer em 2017. As esperadas delações das construtoras favoritas do poder (Odebrecht e OAS) podem alterar totalmente o panorama e, dependendo dos alvos, podem elevar nomes que, nesse momento, poderiam ser descartados, como Lula, ou até mesmo colocar algum outro político que sequer é cogitado no momento no radar.

Fato é que, até 2018, muita água vai rolar, com ritmo da correnteza dado pelos novos prefeitos e pela Justiça. Qualquer erro ou acerto irá respingar de forma decisiva sobre as intenções de voto do eleitorado.

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