É chato viver aqui?

Na última segunda-feira, uma reportagem da Folha de São Paulo iniciou uma pertinente discussão a respeito do verdadeiro papel das Estâncias Turísticas do Estado de São Paulo e também da “enxurrada” de pedidos para que novas sejam criadas.

Tudo estaria muito bem, não fossem os pedidos em sua maioria parte de um plano para ter acesso aos cobiçados recursos do Fundo de Melhoria das Estâncias (FME) que, para 2013, contará com R$ 285 milhões para projetos das 67 estâncias existentes no estado de São Paulo.

Usando Ribeirão Pires como exemplo por uso de tais recursos para a construção de um muro de contenção, a reportagem elencou alguns usos fora de contexto dos cobiçados tostões públicos. O deputado Salim Curiati (PP), o “campeão” em pedidos de transformação de cidades em estâncias, admitiu que boa parte dos pedidos se dá por conta do “desespero da comunidade para resolver os problemas”, já que “Estâncias turísticas têm muitas regalias”. De fato, há cidades em que a verba advinda do FME será maior do que toda a arrecadação anual. Não por acaso, Toninho Colucci, prefeito de Ilhabela, se queixou “do engessamento” dos recursos que devem, necessariamente, ser investidos em projetos com viés turístico – ainda que boa parte das cidades os utilize em pavimentação.

Mais do que discutir a questão financeira e ética, é preciso sentar e discutir o real papel da cidade em relação ao Turismo que engloba muito mais do que trazer pessoas de fora para gastar. Nisso, estão envolvidos o atendimento, a receptividade, a cordialidade e, especialmente, as atrações que os visitantes (e habitantes) têm para desfrutar. Nisso, Ribeirão Pires está em falta, com parques e pontos turísticos abandonados, baixa oferta de leitos, falta de um roteiro de atrações a se visitar e o mais grave: falta de locais para ir.

Em fato já abordado no final do ano passado em matéria especial neste mesmo jornal, ressaltamos que as opções de lazer da cidade se esvaíram. Acabamos de ter um Carnaval em que a cidade parou para quase nada. Fora alguns blocos e o esforço do Ribeirão Pires FC em reeditar os bailes de outrora na noite de anteontem, a Folia de Momo, um grande atrativo para turistas em várias partes do Brasil, passou praticamente em branco, repetindo o cenário de “cidade fantasma” que vemos em muitos finais de semana na cidade. Bom para Rio Grande da Serra e Paranapiacaba que fizeram suas movimentações e absorveram a demanda reprimida.

É hora de sentar e repensar o verdadeiro papel da cidade em termos de entretenimento e opções de lazer, algo que é fundamental para o ser humano e já é uma das grandes fontes de renda de qualquer cidade. Para encerrar, deixamos reflexões: já se passaram 45 dias, com 12 finais de semana e um feriado prolongado no ano de 2013 e que atividade cultural importante foi realizada na cidade? Será que é realmente chato viver aqui? Com a resposta os cidadãos…

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