Desapropriações do Rodoanel geram transtornos em Ribeirão Pires

Enquanto as obras do Rodoanel avançam, sérios problemas vêm surgindo em Ribeirão Pires. Moradores da Vila Belmiro (Avenida Capitão José Galo, entrada do Parque Aliança) começaram a receber as intimações e ordens de despejo, algumas irregulares, o que tem causado constrangimento e muita preocupação.

Moradores acusam SPMar de fraudar laudos para induzir o juiz ao erro

As principais reclamações remetem ao valor indenizatório e a falta de tempo para que os moradores providenciem uma nova moradia. Na manhã de ontem, funcionários da SPMar, concessionária responsável pela obra, munidos de ordem de despejo, solicitaram que os proprietários das empresas GasEx e MultMotos abandonassem o local. “Eles chegaram para desapropriar e começaram a carregar o caminhão com os materiais da empresa sem um mandado para isso”, revelou Maurício Nunes, perito judicial que está auxiliando os moradores e comerciantes locais.

Na segunda-feira, dia 05, houve a emissão de um despacho quanto a decisão proferida no recurso de agravo de instrumento, exigindo o recolhimento do mandado de posse da SPMar. Com isso, a empresa estava impossibilitada de executar as desapropriações na manhã de ontem. O caso ainda será rediscutido judicialmente.

“Não estamos nos negando a sair, só queremos que a empresa forneça as caixas para o transporte adequado dos materiais”, disse o advogado da MultiMotos, José Carlos. “O pessoal já tem um local provisório para onde levar os produtos”, acrescenta.

O que mais tem atrapalhado a saída pacífica de moradores e comerciantes do local são os valores indenizatórios aquém do necessário para aquisição de outro imóvel. Semana passada, por exemplo, o diretor sindical Mauro Coelho passou por situação parecida: Ele reside em uma área de 2400m²,  junto com outras 04 famílias. A SPMar conquistou na Justiça o direito de pagar cerca de R$ 300 mil pelo terreno e construção. “Pegamos um jornal local, onde são divulgadas ofertas de imóveis na região e esse valor daria para comprar um imóvel edificado sobre um terreno de 250 m²”, revelou o advogado da família que, com auxilio de um técnico imobiliário, avaliou o terreno de seu cliente em R$ 2,2 milhões.

“Conversando, eles deram um prazo de 15 dias para abandonarmos o local”, conta Mauro Coelho.  “Não é só o caso dele, são vários casos e várias injustiças. As pessoas estão sendo tratadas como objetos e não como seres humanos, e isso vai continuar. Eles não sairão daqui para debaixo de uma ponte”, protesta do advogado da família residente no local desde 1916.

Fraude – Moradores entraram na Justiça com processo contra a SPMar acusando a concessionária de fraudar uma situação de risco para favorecer a decisão do juiz. Segundo eles, a SPMar abriu um buraco irregular no barranco próximo à uma das casas, em seguida enviaram as fotos para o juiz informando o risco de desabamento do local, sugerindo que a desapropriação salvaguardaria a vida dos moradores. A situação está sendo investigada.

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