Com finanças em crise, Prefeitura se atrapalha nos pagamentos

Supostos problemas financeiros da Prefeitura têm atrapalhado o bom funcionamento administrativo em várias áreas da cidade. Nas últimas semanas a quantidade de empresas terceirizadas e servidores públicos insatisfeitos com os atrasos nos pagamentos surpreendeu. Áreas como Saúde, Educação, Infraestrutura e Segurança foram as mais prejudicadas.

O problema não é de hoje, há algumas semanas, funcionários terceirizados protestaram na Prefeitura em busca de pagamento

Os relatos recebidos por nossa redação são diversos. “O Hospital São Lucas está sem água para os pacientes tomarem remédio. Tem um paciente da Ortopedia que precisa da medicação que se chama Cetropofeno e não tem, fora outras medicações. Eles abandonaram o São Lucas e agora só tem a UPA, mas e os pacientes que estão internados?”, questiona uma funcionária do Hospital que pediu para não ser identificada.

Já na UPA (Unidade de Pronto Atendimento), recém inaugurada, um funcionário também revela a falta de recursos. “Não há roupas de cama no novo hospital. Como vocês vêem, é um descaso total”, declarou. Ainda na Saúde, a lista de problemas cresce: funcionários da Radiologia estão recebendo salários inferiores ao piso, empresas terceirizadas de segurança e limpeza reclamam da falta de pagamento, o que tem deixado o clima tenso no hospital. Até as ambulâncias apresentam problemas. “Motoristas das ambulâncias estão com pagamento em atraso há mais de 30 dias. O Gilmar, dono da empresa, disse que a Prefeitura que não passa as notas para eles pagarem os funcionários”, destacou outro funcionário.

Na Segurança o problema se acentua. Os GCMs reclamam de cortes na hora extra e de efetivo, o que tem prejudicado a segurança, inclusive, de patrimônios públicos. “Sou um GCM, funcionário desta cidade. Estamos sem quadro de funcionários suficiente para cobrir os postos já existentes, e ainda cortaram nossas horas extras, que era a única coisa que os guardas tinham para complementar os baixos salários”. Segundo fontes, no último domingo houve um furto na UBS do Jardim Guanabara e um GCM foi deixado sozinho no local, das 7h às 19h, sozinho, tomando conta de aparelhos de alto valor, já que a porta estava totalmente danificada colocando em risco, inclusive, sua própria vida.

A Prefeitura justificou as acusações. Veja: “Por conta do calor excessivo, o consumo de garrafas de água no Hospital e Maternidade São Lucas foi maior do que o previsto. O estoque de alguns dias foi todo consumido pelos pacientes internados em apenas um dia. No dia seguinte, entretanto, a situação já estava normalizada”, informou em nota.

A Prefeitura também informou que a falta de roupa de cama na UPA “não procede” e que o salário dos técnicos de radiologia é aprovado pela Câmara Municipal, conforme Orçamento e Lei Municipal nº 4.517, de 22 de maio de 2001. “Todos os editais de concursos públicos foram publicados oficialmente, portanto cientificando os candidatos sobre o salário do cargo em questão”. A Municipalidade também negou a existência de atraso no pagamento de funcionários: “Os pagamentos aos funcionários estão sendo feitos nos dias previstos por lei”.

Apesar da defesa, no final do dia mais reclamações, desta vez de funcionários ligados a Infraestrutura, chegaram a nossa redação. Será uma nuvem passageira ou uma tempestade que pode, inclusive, comprometer a próxima gestão? O tempo responderá.

Compartilhe