As promessas da Independência

1822. Este foi o ano quando, aos sete dias do mês de setembro, o príncipe português D. Pedro I declarou, às margens do rio Ipiranga, em São Paulo, a Independência do Brasil, fato esse que marcou a história de nossa nação. Essa é a versão heroica que estão em nossos livros, porém, historiadores discordam de alguns fatos. Os questionamentos são vários: cavalos ou mulas? Houve o grito? O que realmente mudou após o “brado”?

A verdade está escondida, no entanto, alguns documentos revelam dados interessantes, por exemplo, Portugal exigiu do Brasil o pagamento de 2 milhões de libras esterlinas para reconhecer a Independência, como o imperador não tinha esse dinheiro, fez um empréstimo com a Inglaterra, nascia aí a Dívida Externa Brasileira. Além disso, a estrutura agrária continuou a mesma, a escravidão se manteve, os políticos e administradores importantes ainda eram portugueses, não podiam existir universidades, o comércio se manteve controlado e a distribuição de renda continuou desigual. A camada pobre da sociedade sequer entendia o significado da Independência.

Tudo leva ao padrão de promessas políticas, tão comumente encontradas em épocas eleitorais, onde o cidadão ouve um belo discurso, é convencido a apoiar uma causa partidária e, após o pleito, a mesmice continua. Quando D. Pedro I gritou “Independência ou Morte!” estava estabelecendo a sentença do povo brasileiro fadado a morrer sem desfrutar das plenas bênçãos da completa liberdade.

O dia 07 de setembro, contudo, ainda se mostrou uma data de fatos singulares para nossa nação. Cem anos após o “Grito”, o Brasil ouviu a primeira transmissão radiofônica do país durante a Exposição Internacional do Centenário da Independência, realizado no Rio de Janeiro. Em 1956, o jovem jogador de futebol Pelé faz seu primeiro jogo pelo time do Santos, fazendo nascer uma das figuras de maior orgulho do país. Também foi em 07 de setembro que cometemos nossas gafes. Quem não se lembra de quando em 2003, o apresentador Gugu Liberato exibiu, no programa “Domingo Legal“, uma entrevista forjada com integrantes do PCC?

Assim, após 190 anos da Independência do Brasil, continuamos a acreditar em histórias para boi dormir.

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