As lições que o Corinthians dá

Chegamos a dezembro e o Campeonato Brasileiro chegou ao fim com o quinto título brasileiro do Corinthians. Mais do que o aspecto futebolístico, a trajetória da equipe este ano deixa uma série de lições que, se bem absorvidas, podem ser aplicadas ao dia a dia por todas as pessoas.

A primeira delas foi a persistência. Houve um planejamento que sofreu um revés importante em seu início, com a derrota para o Deportes Tolima na Libertadores da América. Era um momento em que muitos pediram uma mudança radical, um “choque de gestão”, mas esse não foi dado por decisão única e exclusiva do presidente do clube, Andrés Sanchez – fato que, diga-se de passagem, aconteceu outra vez, em setembro, quando o clube perdeu o clássico para o Santos. Aí chega a segunda lição: antevisão do fato. Uma mudança de comando faria com que tudo o que fora planejado um mês antes, em dezembro de 2010, fosse por água abaixo, causando perda de tempo e recursos e deixando aberta a terceira lição: manter a confiança de seus funcionários. Sanchez mostrou que confiava em seus comandados e deixou a porta aberta para a concretização do plano inicial: o título.

Falando-se agora, que tudo acabou, é simples. Mas, no decorrer do período, foi preciso usar de muita persistência para resistir a pressões e também a tentação de tentar uma atitude enérgica – embora não pensada – para dar a chamada “resposta à torcida”, uma medida que teria grandes chances de dar errado.

Estamos falando de futebol, certo, mas isso se aplica também à política. Vejamos o caso da presidenta Dilma Rousseff. Ela foi obrigada a demitir uma série de ministros por conta das denúncias de corrupção, uma mudança de planejamento que nem de longe passava por sua cabeça. Prova disso é o caso Lupi, talvez o único em que a mandatária máxima do Brasil titubeou. Em Ribeirão Pires, houve a longa espera para se definir um candidato da Situação ao Paço, o que deixou a oposição com certa vantagem no início da corrida eleitoral.

Seja em um caso ou em outro, é importante dizer que ao menos uma das três lições supracitadas não foram cumpridas à risca. Mas, não se esqueçam que estamos chegando ao fim de um ciclo. Agora é fim de ano, hora de renascer, de planejar para vislumbrar um futuro melhor. Assim é a arte, o esporte e pode ser a vida, se olharmos um futebol da forma que ele é: a coisa mais importante dentre as menos importantes.

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