As duas questões que a secretária de Saúde não respondeu

“Não acompanho as licitações. Faço um pedido e realizo a encomenda, depois audito o serviço prestado”, o que mostra certa falta de controle sobre o que ocorre debaixo do próprio nariz da chefia da Saúde

Durante a sessão da Câmara que sabatinou a secretária de Saúde e Higiene de Ribeirão Pires, Patrícia Freitas, ocorrida ontem, cada vereador teve a oportunidade de apresentar questionamentos à chefe da Pasta.  Por cinco longas horas Patrícia se manteve impávida, sem ao menos expressar fadiga, e fez frente a todas as perguntas.

Patrícia foi questionada por vereadores, imprensa e munícipes na última sessão

Apensar de responder a tudo, pouca coisa ficou realmente respondida. Ou seja, mesmo depois de ter dado uma resposta, as verdadeiras perguntas e respostas não foram feitas e a sessão mais foi usada para que a secretária fizesse uma apresentação de sua rotina de trabalho, do que realmente expor a situação delicada da Saúde, com seu parco recurso e excesso de gasto desnecessário.

O Mais Notícias aproveitou a oportunidade para fazer duas perguntas: 1- Como a secretária está combatendo ou coibindo ações de corrupção na Pasta? 2- O Hospital São Lucas já possui todas as licenças da Vigilância Sanitária, alvará de Bombeiros, inspeção contra pragas urbanas, etc.?

Eis o que Patrícia respondeu quanto ao combate à corrupção em sua secretaria: “Fizemos uma auditoria nos contratos anteriores (celebrados antes do início do ano). As notas existem, mas não existem os medicamentos. Criamos uma comissão para analisar e fazer sindicância nos contratos. E para os novos contratos, temos uma equipe que olha todos os documentos.”

Já sobre as licenças, ela disse: “Tínhamos um roteiro para sanar os problemas do São Lucas. Montamos uma lista de mais de 100 protocolos e a Vigilância Sanitária deu uma olhada, mas ainda não deu um parecer. Semana que vem o Estado fará a vistoria para emitir um parecer e desinterditar o Hospital”.

Apesar das respostas, tais informações não respondem os questionamentos e abrem espaço para mais perguntas: Quer dizer que o São Lucas está funcionando, inclusive internando pessoas – e, conforme se orgulhou a secretaria, realizando mais de 60 partos por mês – sem que o prédio tenha a documentação técnica que garanta a segurança dos pacientes e funcionários?

Não somente isso, uma equipe formada por funcionários comissionados controla as despesas da secretaria? Quais seus nomes? Suas competências? Estão preparados para cuidar do bem público? Quem são essas pessoas?

A própria secretaria disse: “Não acompanho as licitações. Faço um pedido e realizo a encomenda, depois audito o serviço prestado”, o que mostra certa falta de controle sobre o que ocorre debaixo do próprio nariz da chefia da Saúde.

Pode ser que para os vereadores, que em sua maioria elogiaram a participação da secretária, rasgando seda a seu favor, tenha sido proveitosa. Mas para os olhos e ouvidos alertas da Imprensa, tudo o que foi falado apenas expôs uma séria fraqueza no comando do setor. Não duvidamos da boa vontade de Patrícia e sua equipe de fazer o melhor possível para melhorar a Saúde, mas do jeito com que as coisas estão, tememos não ver melhoras no horizonte.

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