Anemia falciforme pode ter tratamento alternativo

Um projeto desenvolvido pelo engenheiro Rafael Vieira de Souza tende a colaborar com o tratamento de pacientes com anemia falciforme. Souza desenvolveu um novo modelo de bomba de infusão (aparelho usado para aplicar medicamentos na medida certa) cujo custo de produção e distribuição reduz drasticamente, colaborando, assim, com o tratamento da doença a nível internacional.

Anemia falciforme é uma doença hereditária (passa dos pais para os filhos) caracterizada pela alteração dos glóbulos vermelhos do sangue, tornando-os parecidos com uma foice, daí o nome falciforme. Essas células têm sua membrana alterada e rompem-se mais facilmente, causando anemia. A hemoglobina, que transporta o oxigênio e dá a cor aos glóbulos vermelhos, é essencial para a saúde de todos os órgãos do corpo. Essa condição é mais comum em indivíduos da raça negra, mas devido à intensa miscigenação historicamente ocorrida no país, pode ser observada também em pessoas de raça branca ou parda.

Após testes realizados fora do corpo humano, o equipamento apresentou excelentes resultados, com variação no regime de funcionamento abaixo de 10% na vazão média, o que é considerado aceitável

Hoje, pessoas com anemia falciforme, cerca de 60 mil só no Brasil, precisam usar um aparelho que custa aproximadamente R$ 2.500. Esse equipamento injeta o fluído medicinal de forma contínua em um período entre quatro e oito horas diárias. A ‘bomba’ é presa à cintura do paciente que pressiona uma seringa que contém o medicamento. O uso deste equipamento é feito, geralmente, durante o período noturno para não prejudicar a rotina do paciente. O procedimento implica em certos incômodos como: peso do equipamento, dificuldade de manuseio, incompatibilidade com seringas comerciais padrão, alto risco de infecção por contaminação do aparelho, troca constante de baterias, dificuldade de constatar que o equipamento está avariado, ruído de funcionamento elevado e o alto custo de aquisição.

O novo projeto vem com uma inovação que fará com que a vida do paciente seja muito mais prática. “Para resolver estes problemas, é proposta uma alternativa nacional que não utiliza baterias elétricas ou outros componentes eletrônicos, o que torna o equipamento mais leve, silencioso, simples, barato e descartável”, informa o criador do sistema, Rafael Souza. Nesta alternativa, a bomba de infusão utiliza um reservatório à baixa pressão. Esse reservatório pode ser uma outra seringa com o bico bloqueado. Assim, quando o embolo é puxado, forma-se uma região de baixa pressão capaz de gerar a força necessária para a infusão.

A produção dessa nova seringa injetora’, em larga escala, pode produzir um produto com preço final ao consumidor de apenas R$ 2,50. “O próximo passo, para que o produto esteja disponível no mercado, é necessário fazer uma associação com um fabricante de seringas ou obter apoio governamental para fabricar seringas adaptadas às necessidades deste produto”, explica Rafael, que ainda aguarda o apoio de entidades privadas ou do governo para iniciar a produção efetiva do produto.

No caso de parceria, em apenas três meses e com investimento inicial de R$ 500.000,00 já é possível fabricar 1.200.000 unidades mensais, capazes de abastecer todo o país.

Dados recolhidos e organizados junto à OMS (Organização Mundial de Saúde) revelam que existem cerca de 400 mil pacientes com anemia falciforme em todo o mundo e menos de 10% conseguem ter acesso aos atuais equipamentos, o que torna a produção desse projeto viável e necessário.

A qualidade da pesquisa e da apresentação resultou ao engenheiro destaques nacionais e internacionais ao ser elogiado na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, Portugal e receber a nota máxima na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (POLI-USP) em dezembro de 2007.

Interessados em apoiar o projeto poderão entrar em contato com o próprio Rafael nos telefones 11 2592-6253 e 11 94353682. Ou por e-mail [email protected].

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