Acesso à água potável é satisfatório, mas saneamento está longe desta realidade

No próximo dia 22, celebra-se o Dia Mundial da Água. Um fato poderá ser comemorado nesta data: No último dia 05, a Organização das Nações Unidas (ONU) informou, por meio de relatório, que o mundo atingiu os chamados Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), ao reduzir pela metade a proporção de pessoas sem acesso à água potável.

No fim de 2010, 89% da população mundial passaram a ter acesso a fontes de água potável

O levantamento constatou que, no fim de 2010, 89% da população mundial (o equivalente a 6,1 bilhões de pessoas), passaram a ter acesso a fontes de água de melhor qualidade, com abastecimento canalizado e poços protegidos – índice acima da meta dos 88% traçados pelos ODM.  A estimativa é que até 2015, 92% da população global terão acesso à água potável melhorada.

O estudo foi elaborado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e pela Organização Mundial da Saúde (OMS), com lançamento simultaneamente em Genebra (Suíça) e Nova York (Estados Unidos). O documento intitulado “Programa de Monitoramento Conjunto para o Abastecimento de Água e o Saneamento” analisa o período de 1990 a 2010.

A mesma percepção positiva não pode ser vista no quesito saneamento. Com base no relatório, apenas 63% da população mundial têm acesso a saneamento de qualidade. De acordo com os dados, 1,1 bilhões de pessoas continuam sem redes de esgoto; 1,1 milhões a fazer as suas necessidades a céu aberto; e cerca de 4 mil crianças morrem diariamente por doenças diarréicas associadas à falta de qualidade da água.

A previsão é que até 2015 esse percentual atinja 67%. “Melhorar a qualidade da água, do saneamento e das condições de higiene é fundamental para promover a saúde humana e o desenvolvimento”, disse a diretora-geral da OMS, Margaret Chan.

Cerca de 80% das águas residuais não são recolhidas nem tratadas, mas vão direto a outros corpos d’água ou se infiltram no subsolo, o que acaba causando problemas de saúde na população e a deterioração do meio ambiente.  O relatório aponta as fragilidades das áreas rurais, evidenciando que nos países menos desenvolvidos, 97 em cada 100 pessoas não têm água canalizada e 14 por cento da população bebe água de superfície, a partir de rios, lagoas ou lagos.

O documento da ONU cobra iniciativas de prevenção. Segundo a Organização Mundial de Saúde, se o número de pessoas sem acesso sustentável à água potável e a instalações sanitárias caísse pela metade no mundo, os benefícios econômicos globais decorrentes seriam oito vezes maiores que o custo dos investimentos.

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