ABC tem aumento da frota – e de acidentes também

Atualmente, congestionamento não é realidade apenas da capital. Nas cidades que compõem o ABC, o motorista também tem perdido grande parte de seu dia no trânsito. O fato é resultado do aumento considerável da frota. Segundo dados do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), a frota da região aumentou 86% entre 2001 e 2011, passando de 772.609 para 1.435.823 veículos em dez anos.

Na última década, frota da região aumentou 86%

O município com a maior frota é São Bernardo: são 479,3 mil veículos, seguido por Santo André, com 442,5 mil, e Mauá, com 163,2 mil. A cidade de Ribeirão Pires conta com 59.362 e Rio Grande da Serra com 12.234.

Para tentar amenizar a situação, o Consórcio Intermunicipal do ABC implantará medidas, no início de abril, para restringir a circulação de caminhões em algumas das principais vias da região. A proibição visa ser aplicada entre 6h30 e 8h30, e entre 17h e 20h.

Assim como a frota, cresce também o número de acidentes. De acordo com dados da Secretaria de Segurança Pública do Estado, em 2011, 6.375 pessoas se feriram em acidentes de trânsito no Grande ABC. Desse total, 166 foram vítimas fatais.

Em 2010, entre janeiro e setembro, haviam sido registrados 5.988 acidentes com vítimas na região, sendo que 129 pessoas perderam a vida.

No ano passado, foram registrados em Ribeirão Pires, 14 casos de homicídio culposo por acidente de trânsito (quando não há intenção de matar) e 334 lesões corporais pela mesma razão.

Na vizinha Mauá, foram 16 homicídios culposos e 818 casos de lesão corporal.

Rio Grande da Serra registrou apenas um homicídio culposo nesse sentido e 35 ocorrências envolvendo lesão corporal.

Motocicletas – Apesar da praticidade e agilidade, as motos continuam sendo vistas como as vilãs do trânsito, quando o assunto é segurança.

A frota do veículo de duas rodas no ABC registrou acréscimo de 310% na última década: de 45.271 saltou para 185.953.

No Brasil, do total de pessoas que perderam a vida em acidentes com motocicleta, 90% são homens. Porém, o número de mulheres cresceu 16 vezes de 1996 a 2010, enquanto o número de homens que morreram nesses acidentes aumentou 13 vezes no mesmo período.

O Sistema de Informações de Mortalidade do Ministério da Saúde mostrou que, de 1996 a 2010, a quantidade de vítimas fatais do sexo feminino em acidentes com motocicletas subiu de 10 para 313 pessoas no Sudeste. Os estados de São Paulo e Minas Gerais foram os que mais registraram mortes de mulheres por causa de acidentes envolvendo motocicletas em 2010: 139 e 81 óbitos, respectivamente.

Para o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, um dos fatores preponderantes é o aumento da frota de motocicletas, meio de transporte utilizado por 10,2 mil dos 41 mil brasileiros que perderam a vida no trânsito em 2010. “Especialmente em cidades com menos de cem mil habitantes, tem aumentado o número de motociclistas, inclusive do sexo feminino, tornando as mulheres mais vulneráveis aos acidentes de trânsito”, destacou o ministro. “Temos mais um motivo para defender uma conduta cada vez mais cuidadosa no trânsito e que a fiscalização seja rigorosa para salvarmos mais vidas”, acrescentou Padilha, lembrando que cerca de 80% das vítimas fatais têm entre 15 e 39 anos.

Ações visam à paz no trânsito

O Sistema Único de Saúde (SUS) conta com um conjunto de ações de promoção de saúde e paz no trânsito, de prevenção e vigilância de acidentes, violências e seus fatores de risco. Para a prevenção e promoção da saúde, os ministérios da Saúde e das Cidades assinaram em maio de 2011 o Pacto Nacional pela Redução dos Acidentes no Trânsito – Pacto pela Vida, com a meta de estabilizar e reduzir o número de mortes e lesões em acidentes de transporte terrestre nos próximos dez anos.

Outra iniciativa é o Projeto Vida no Trânsito, lançado em junho de 2010, que visa reduzir lesões e óbitos no trânsito em municípios selecionados por uma comissão interministerial. Para início do projeto, as cidades escolhidas foram Teresina (PI), Palmas (TO), Campo Grande (MS), Belo Horizonte (MG) e Curitiba (PR). Os municípios selecionados devem desenvolver experiências bem-sucedidas na prevenção de lesões e mortes provocadas pelo trânsito e que possam ser reproduzidas por outras cidades brasileiras. Para os próximos anos, a meta é expandir o projeto para todas as capitais brasileiras, assim como outros municípios, o que será feito em parceria com as secretarias de saúde de Estados, do Distrito Federal e de municípios.

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