A Sangria do Assessorado

E, mais uma vez, uma pessoa do primeiro escalão do Governo aparece envolvida em denúncias de corrupção. A “bola da vez” é o ministro do trabalho, Carlos Lupi, acusado de integrar um esquema de desvio de verbas públicas por meio de ONGs.

Até aí, nenhuma novidade, certo? Errado. A denúncia ficou ainda mais pesada por um singelo detalhe: a revelação de que ele, por anos, recebeu da Câmara dos Deputados, como assessor da liderança do PDT sem comparecer ao gabinete, efetivamente, entre 2000 e 2006, limitando-se ao exercício de tarefas partidárias no Rio de Janeiro. Ou seja: um assessor-fantasma, figura que se repete em 100% das cidades brasileiras.

Assustador? Pode ser para nós, reles mortais, que trabalhamos de sol a sol para garantir o sustento. Mas, para muitos não o é. O chamado cargo de assessor comissionado, pago pelos cofres públicos, é, há muito, uma moeda de compensação política, uma maneira de “colocar em dia” apoio ou benefícios obtidos em campanha. Entretanto, a porta da corrupção abre-se neste ponto, já que fica a cargo de cada titular de cadeira exigir que se cumpra – ou não – a função para qual cada um deles foi contratado. Enfim: são cargos de confiança e, por isso, há o pressuposto de que cada um colocaria uma pessoa habilitada a exercer a função.

Vale lembrar que até pouco tempo, usando a desculpa da confiança, os cargos eram um verdadeiro cabide de empregos para parentes, o nepotismo, apenas recentemente combatido por força de lei. Como isso acabou, a porta ficou aberta para as famigeradas trocas políticas.

É chegada a hora de se rediscutir o sistema de contratações para evitar tais discrepâncias. Enquanto alguns são claramente beneficiados, outros aguardam nas intermináveis listas de espera dos concursos públicos para integrar o funcionalismo. Enfim: está aberta a porta para uma discussão mais ampla: como combater a “Sangria do Assessorado”?

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