A novela do Rodoanel ganha mais um capítulo

Nas últimas semanas, o Rodoanel é um dos assuntos mais comentados da cidade. Agora, que a obra chegou a um estágio em que já mudou a paisagem urbana e seus primeiros impactos começam a ser sentidos, Ribeirão Pires discute sobre sua utilidade e respectivas compensações.

Até o presente momento, a cidade tem bancado uma série de ônus. Casas desapropriadas, ruas esburacadas, poluição visual e do ar, além de discussões a respeito de pagamento de tributos, em especial o ISS, cujo valor está sendo alvo de grande discussão, como já foi abordado nas páginas deste jornal.

Mais recentemente, os vereadores entraram na discussão, questionando a SPMar, concessionária que está construindo a autoestrada e irá operá-la por ao menos 32 anos após a conclusão, a respeito da compensação dos prejuízos causados pela obra. Esta semana, houve um primeiro encontro com a empresa, representada por seu diretor-executivo Luiz Alberto Lodi, na Casa de Leis. A explicação oral, contudo, não satisfez os edis, que agendaram outra reunião para a próxima semana, como você poderá ler nesta edição.

Esta é uma discussão que, verdade seja dita, poderia não estar acontecendo, já que o projeto original data dos anos 50 do século passado. De lá para cá, sob diversos nomes, acabou criando “filhos”, como as Marginais Tietê e Pinheiros e as avenidas Jacu Pêssego (hoje estendida até Mauá como ligação entre a Zona Leste e Guarulhos a autoestrada) e Fábio Eduardo Ramos Esquivel, que liga Diadema ao resto da região e a Capital. Mais tarde, já nos anos 80, virou Via Perimetral Metropolitana, em projeto que por fim resultou no desenho final, cujas obras começaram há 15 anos, em 1998 quando, a bem da verdade, deveriam ter sido concluídas.

Mas, como ela é inevitável, há diversos pontos de interrogação a serem discutidos que se iniciam com o sucateamento da Dersa (Desenvolvimento Rodoviário S.A), estatal que controlava todas as rodovias do Estado e hoje praticamente se limita a prestar apoio técnico e contabilizar a receita oriunda de Ferryboats e lanchas no litoral, e passam pelos prejuízos ambientais em uma área de preservação ambiental, no caso a Mata Atlântica, e o fato de fazer com que a Grande São Paulo (ou periferia de São Paulo, se preferirem) arque com os erros históricos de planejamento urbano que fizeram o trânsito da Capital literalmente travar.

Já que, de acordo com o planejamento da obra, o fato de Ribeirão Pires estar em duas periferias (da Capital e do ABC) a inclui no rol de cidades do interior que irão “colaborar” com a melhora do trânsito paulistano, cabe ao município ao menos tentar amenizar os impactos de alguma maneira. Por isso, é mais do que válida a postura dos vereadores, mostrando assim a postura de verdadeiros representantes da população. Para finalizar, duas perguntas: será que a tão sonhada alça que, segundo o próprio Lodi está “99.9% garantida” irá compensar todos os prejuízos? Será que as dezenas de veículos do ABC que cortam caminho por Ribeirão Pires para não pagar o pedágio do Rodoanel (segundo os próprios motoristas) nos finais de tarde não vão virar milhares? A cidade tem viário para suportar tamanha mudança? Essas serão, como se diz em novelas, “cenas dos próximos capítulos”.

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